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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Resumo do livro: Heavier than Heaven

Heavier than heaven: uma biografia de Kurt Cobain
Charles R. Cross

Sobre o autor:

Charles R. Cross é jornalista, norte americano, e especializado em biografias. Dono de duas revistas especializadas em Rock, já publicou sete biografias sobre o Kurt Cobain entre a vida da banda de rock “Led Zeppelin: sombras mais altas que nossas almas” e do guitarrista Jimi Hendrix “Room full of mirrors [uma sala cheia de espelhos] – uma biografia de Jimi Hendrix".
Roqueiro assumido, é fã da banda Nirvana, e por isso não mediu esforços para a publicação do sétimo livro “Heavier than heaven: uma biografia de Kurt Cobain”.

Sobre o livro:
Foram “quatro anos de pesquisa, 400 entrevistas, numerosos armários de arquivos de documentos, centenas de gravações musicais, muitas noites de insônia e quilômetros e quilômetros percorridos de carro entra Seattle [sua cidade] e Aberdeen [lugar onde Cobain viveu]” declara o autor logo no início do livro.

Ainda no começo, ele justifica porque da publicação: “era fácil amar o Nirvana [banda do Cobain] porque, por maior que fosse sua fama e glória, eles sempre pareceram vira-latas”.

A edição é a de 2008, traduzida por Cid Knipel. Ganhou prêmio de melhor livro nos EUA em 2002. A narração ganhou versão cinematográfica da Universal Pictures e, em breve, será lançada.

A história:
O livro, de 24 capítulos, começa com a ascensão e melhor fase da banda Nirvana e do vocalista Kurt Cobain. Ele já casado com a Cortney Love. Uma turnê no Reino Unido, que deu nome ao livro. O segundo capítulo começa já com seu nascimento e assim se vai, infância, adolescência, a vida no rock’n’roll, a criação da banda e seu sucesso, e o seu suicídio.

Com uma linguagem simples e em terceira pessoa, o autor usa de vários depoimentos da família, da viúva Love, de conhecidos e de seus diários pessoais. Kurt Cobain, assim como todo artista, tinha seu refúgio, e antes do vício com as drogas, ele desabafava e compunha em cadernos.

O livro se torna uma obra prima, uma jóia e incrivelmente viciante, pelo fato de ser uma obra feita com paixão. O autor é fã e já chegou a entrevistar o biografado no auge de sua carreira. Na popular “nota do autor” ele relata a sensação de morar próximo ao lugar que Cobain comprou a arma que explodiu a sua cabeça.

Kurt Cobain nasceu em 1967 e morreu em 1994. Era filho único de um mecânico e uma garçonete. Cresceu vivendo entre uma casa e outra, por conta do divórcio de seus pais. Era um menino feliz, mas não suportou essa separação.

Foi um rapaz doente, na adolescência. Foi quando ele começou a ter problemas sérios no estômago. Kurt morreu sem saber qual era a sua doença e temia que ela levasse o seu nome, pela raridade.

No mundo das drogas, começou usando maconha e terminou usando heroína. Tudo isso por conta do presente de seu tio, uma guitarra no aniversário de 13 anos. Foi assim que ele se apaixonou pelo punk e depois de algumas tentativas formou a banda Nirvana. A banda conseguiu fama depois de dois anos de formação.

Kurt, já casado e já pai de Frances, antes de morrer com tiro de espingarda, já havia tentado se matar antes. Com overdose de heroína, ele deixou um bilhete: “como Hamlet, eu tenho que escolher entre a vida e a morte, eu escolho a morte”. Um mês depois, ele escreve uma carta ao seu amigo imaginário e espedaça a própria cabeça com jumbinhos da espingarda comprada no mês anterior. O corpo ficou trancado na estufa de sua casa por volta de três dias. Sua esposa estava tratando do vício com as drogas em um centro de reabilitação e não acreditou na morte do marido.

Sua morte ganhou a primeira página do The New York Times.

Carta Suicida

Para Bodah,
Falando na língua de um simplório experiente que obviamente preferia ser um maricas covarde, infantil resmungão. Esta nota deveria ser bem mais fácil de ser compreendida.
Todas as advertências do Punk Rock 101 Courses ao longo desses anos, esta é a minha primeira introdução ao que poderíamos chamar de ética envolvendo independência e com o engajamento de sua comunidade foram provadas como verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou ao compor música, bem como ao ler ou escrever. Eu me sinto culpado de dizer estas coisas através dessas palavras. Por exemplo, quando estamos nos bastidores e as luzes se apagam e o ruído enlouquecido da multidão começa, isto não me afeta da maneira como afetava o Freddie Mercury, que costumava amar e se deliciar com o amor e admiração da platéia, o que eu admiro e invejo totalmente. O fato é que não posso enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não seria justo para vocês e para mim. O pior crime que eu poderia imaginar seria o de afastar as pessoas sendo falso, fingindo estar me divertindo 100%. Às vezes eu sinto que deveria acionar um despertador todas as vezes que subisse ao palco. Eu tenho tentado com todas as minhas forças gostar disso, e eu gosto, Deus acredite em mim, eu gosto, mas isso não é suficiente. Eu aprecio o fato de que nós comovemos e entretivemos muita gente. Eu devo ser um daqueles narcisistas que só gostam das coisas quando elas acabam.
Eu sou muito sensível, eu preciso estar ligeiramente entorpecido para recobrar o entusiasmo que eu tinha quando eu era criança. Nas nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte das pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs da nossa música. Mas eu ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos.
Há bondade em todos nós e eu simplesmente amo muito as pessoas. Amo tanto, que isto faz me sentir tão fudidamente triste. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, homem de Jesus.
Por que você simplesmente não relaxa e curte? Eu não sei!
Eu tenho uma esposa que é uma deusa e que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra bastante o jeito que eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando cada pessoa que ela encontra porque todo mundo é legal e não vai machucá-la. Isto me aterroriza ao ponto de eu mal conseguir funcionar. Eu não suporto pensar na Frances tornando-se uma pessoa infeliz, auto–destrutiva uma roqueira da morte, coisas que eu me tornei.
Eu tenho estado bem, muito bem, e eu sou muito agradecido por isso, mas desde os sete anos, eu me tornei odiável perante as pessoas em geral. Isso porque parece tão fácil para os outros se darem bem e ter empatia entre si. Só porque eu amo e sinto muito dó das pessoas, eu acho. Obrigado a todos, do fundo do meu estômago queimando em náuseas pelas cartas e demonstrações de preocupação durante os últimos anos. Eu sou mesmo uma pessoa muito neurótica e taciturna e eu não tenho mais aquela paixão, então, lembrem-se: é melhor queimar de uma vez do que ir queimando aos poucos. Paz, amor e empatia. Kurt Cobain.

Frances e Courtney, eu estarei em seu altar.

Por favor, continue, Courtney, pela Frances.

Para que a vida dela seja muito mais feliz sem mim. Eu mão vocês. Eu amo vocês.


*Carta suicida de Kurt Cobain